Um raio caindo a quilômetros de distância, ou uma simples oscilação da rede elétrica da concessionária, pode ser o suficiente para queimar a TV, o roteador ou a geladeira — mesmo sem nenhum problema aparente dentro de casa. É para isso que existe o DPS.
O que o DPS faz, na prática
O DPS (dispositivo de proteção contra surtos) monitora a tensão da rede elétrica e, quando detecta um pico acima do normal — causado por descarga atmosférica próxima, manobra na rede da concessionária ou até o religamento após uma queda de energia —, ele desvia esse excesso para o aterramento antes que ele chegue aos equipamentos da casa. Sem o DPS, esse pico de tensão passa direto pelos circuitos até os aparelhos ligados na tomada.
É um dispositivo silencioso: na maioria do tempo, ele não faz nada visível, porque só entra em ação no momento exato do surto — o que faz muita gente nem saber se a própria casa tem um instalado.
Onde o DPS costuma ser instalado no quadro
O DPS é instalado diretamente no quadro elétrico, geralmente próximo à entrada de energia da concessionária, para conseguir interceptar o surto antes que ele se espalhe pelos demais circuitos da casa. Por isso, diferente de uma proteção individual em cada tomada, um único DPS bem instalado no quadro consegue proteger toda a instalação de uma vez, incluindo pontos que não teriam como receber um protetor individual, como o chuveiro ou o ar-condicionado.
DPS x DR: proteções diferentes, papéis diferentes
É comum confundir DPS com DR, mas os dois protegem contra riscos completamente diferentes. O DR desliga o circuito quando detecta fuga de corrente, protegendo pessoas contra choque elétrico. O DPS desvia picos de tensão da rede, protegendo equipamentos contra danos causados por surtos. Uma instalação completa geralmente conta com os dois dispositivos, cada um cobrindo um tipo de risco que o outro não cobre.
Sinais de que a casa já sofreu um surto sem DPS
Aparelhos eletrônicos que queimam repentinamente após uma tempestade ou uma queda de energia, principalmente mais de um aparelho ao mesmo tempo, são um sinal bem característico de surto de tensão — diferente de um aparelho que simplesmente parou de funcionar por desgaste natural. Se isso já aconteceu mais de uma vez na mesma casa, é um forte indicativo de que a instalação não tem DPS, ou que o DPS instalado já atuou e precisa ser substituído, porque esse dispositivo tem vida útil limitada após absorver surtos.
Por que faz mais diferença em algumas épocas do ano
Em São Paulo, o período de mais chuvas e tempestades (geralmente de novembro a março) é quando mais aparelhos queimam por surto de tensão relacionado a raios na região, mesmo sem uma queda de energia visível durante a tempestade. Uma instalação elétrica sem DPS deixa a casa mais vulnerável justamente nesses meses, mesmo que o resto da fiação esteja em ótimo estado.
Vale verificar com um eletricista em SP se o quadro do seu imóvel já tem DPS instalado — é um dispositivo relativamente simples de adicionar e que evita o prejuízo de trocar um eletrodoméstico inteiro por causa de um pico de tensão que durou uma fração de segundo.